Malonna e Nina Fur
- 1 de dez. de 2015
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Malonna
André da Silva Batista, nome de registro de Malonna, nasceu em Bom Despacho, viveu em João Pinheiro, mudou para Belo Horizonte onde estudou Artes Plásticas e Design de moda e viveu entre 2004 e 2013, hoje mora em São Paulo.
Trabalha há 10 anos como Drag Queen e diz categoricamente não gostar de pessoas, prefere os figurinos – considerado seu maior prazer.
André é também figurinista, maquiador, peruqueiro, aderecista e produtor artístico em geral.
Considera que todos os trabalhos que realizou até hoje colaboraram para a sua formação profissional, mesmo os ruins.
Pensando na infinidade de possibilidades que os figurinos oferecem numa caracterização, surgiu a Oficina da Malonna, que tem como atividade a produção de figurinos, perucas e acessórios para companhias de teatros, Drags Queens, atores independentes e festas à fantasia.
De acordo com a própria Malonna, a Oficina não é só uma empresa, mas um projeto de vida, um projeto artístico, de realização e de divulgação do trabalho Drag. “A ideia é que a gente possa ter um espaço para receber pessoas que queiram aprender, que queiram colaborar com alguma construção, pesquisa dessa área que é bem pouco explorada do ponto de vista técnico. É muito intuitivo, pouco documentado, pouco registrado, não existe uma história do processo, então a ideia da Oficina da Malona é poder colaborar para que isso possa acontecer, um local de referência, onde as pessoas saibam que “lá eu posso ir, posso começar a procurar e cavar o assunto”.
A Oficina da Malonna é uma empresa que presta serviços artísticos relacionados a caracteriza-ção há dois anos e um dos maiores desejos de André é de que um dia todos possam se montar como Drag.
Quando questionado se leva a vida profissional para a pessoal, André diz ser um workaholic total, viciado em trabalho, e um dos maiores entusiastas da arte Drag da atualidade: “Quero que todo mundo se monte, experimente, nem que seja uma vez, nem que seja de brincadeira porque se colocar no lugar do outro é a melhor coisa que podemos fazer, é o melhor que pode acontecer para nós. Para mim, como experiência pessoal a cada vez que eu me proponho a experimentar o lugar do outro, eu cresço. Então eu acho que essa experiência parte também desse princípio”.
Seu figurino preferido é o hábito de freira, que é de vinil e foi usado numa performance cantando a música “Ave Lúcifer”, de Os Mutantes.
Sobre o que mais gostou nestes 10 anos de Drag, Malonna pondera: “Acho que o que é mais marcante, o que é mais importante dessa história toda é a experiência e as pessoas que conhecemos no caminho. Não é exatamente as coisas que você faz. Há alguns shows, algumas apresentações que são icônicas e são queridas no meu coração.”
Já sobre sua apresentação mais marcante, Malonna relembra a preparação de apresentações para a Priscila, conhecida festa Drag: “Gosto das apresentações que fiz na Priscilla, todas, porque eu acho que são muito bonitas. Foram apresentações que gastei bastante tempo, dinheiro e tutano produzindo, pensando a respeito, tive colaborações de todas as pessoas que eu gosto, todo mundo vinha e dava uma ideia, dava um palpite, colaborada de alguma forma: uma pessoa faz o vídeo, a outra pessoa ajuda a escolher a música, a outra ajuda a pensa no figurino, as outras ajudam de fato a executar esse figurino, porque foi uma odisseia conseguir deixar tudo pronto. Então são apresentações que eu gosto muito”.
Apresentações inusitadas
Entre apresentações feitas sobre uma caixa de maçã ou de som, Malonna conta uma situação inusitada que viveu numa faculdade de Direito de Minas Gerais: sem saber do cancelamento de sua apresentação, devido ao falecimento de um professor, adentrou as dependências da faculdade no momento em que ocorria o velório do referido mestre.
Malona encerra nossa entrevista falando do quanto se sente privilegiada por poder filtrar seus trabalhos pelo que valem, não pelo que custam, assim consegue ter certo conforto na produção de suas criações, em virtude de sua formação em artes plásticas e design de moda: “Hoje eu trabalho produzindo o que eu gosto de fazer, que é figurino, para diversos artistas, empresas e situações em que as pessoas se interessam, e nisso acontece de entrar o dinheiro. Não sou uma pessoa barata, não trabalho por pouco. O trabalho que a gente desenvolve, não pode ser medido pelo que custa, tem que ser medido pelo que vale. E cheguei numa fase da minha vida que agora eu me recuso a trabalhar pelo que custa, eu trabalho pelo que vale. Então eu recuso trabalhos, depois aparece outros, coisa que é normal na vida de todo mundo. Aceitamos furada até uma determinada época, depois pensamos assim ‘Não, agora eu não passo mais por isso’, então eu já cheguei nessa fase de não passar mais por isso”.

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Nina Fur
Nina Fur é a Drag Queen vivida por Rafael Ioran Chavier Trucati há 2 anos.
Rafael trabalhou com produtor de audiovisual em uma agência de publicidade e propaganda e hoje é maquiador freelancer.
Recém chegada ao universo Drag, Nina começou sua história em alto padrão, com grandes profissionais da área, na Oficina da Malonna, após Rafael largar o emprego e a faculdade para fazer maquiagem.
Atualmente, Rafael integra o polo de maquiagem, efeitos especiais, produção de figurino, e produção teatral da Oficina da Malonna.
Sobre suas atividades na Oficina, Rafael é enfático: “eu acho maravilhoso, conseguir me expressar de uma maneira que eu gosto, me encontrei”.
Rafael decidiu ainda que sairá do Brasil para estudar maquiagem de efeitos especiais, sonho que pretende realizar em breve. Ele nos conta ainda que teve infância difícil e pobre, que considera ainda ter sido importante para o seu desenvolvimento.
Sua experiência anterior com audiovisual colabora hoje com a função de assessoria que exerce na Oficina da Malonna, com a atividade de comunicação com interessados e curiosos que as procuraram por meio das redes sociais.
Entre suas atividades, além das apresentações como Drag, ministra cursos de maquiagem para travestis e transexuais.
Rafael fala do trabalho que mais gostou de fazer: “O que eu mais gostei de fazer não foi nem um trabalho, foi ser chamado pro carro de Netflix na parada gay, achei maravilhosa a parada gay em cima de um trio elétrico, muito melhor do que estar na rua. Fomos convidados, eu, a Kelly e a Malona, para um carro do trio elétrico da Netflix na Parada Gay, que trouxe umas gringas lá e foi super divertido, me diverti horrores. (...) Foi ultra divertido, foi muito legal conhecer muita gente importante assim no meio LGBT”.
Sobre a Nina, ela é “burra, tem dificuldade cognitiva”, de acordo com o próprio Rafael, e assim ela explica o Fur: “Nina Fur, Fur porque quando eu comecei a me montar, eu usava barba, usava uma barba grande que eu não queria tirar quando comecei a me montar, gostava muito da minha barba, aí eu usei Fur, aí ficou”.
Depois de inserida no universo Drag, Nina conta que a vontade de continuar as criações e preparos é tanta que dificilmente sai de casa desmontada.
A Drag que inspira a Nina Fur é a Divine, ator de cinema norte-americano que ficou marcado como ícone da cultura gay.
Divene:





















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